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Saúde e Bem-estar

Férias e Saúde Mental

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Agosto é o mês, por excelência, das festas e das romarias, que se comemoram um pouco por todo o lado. É também o mês das férias, dos turistas e dos emigrantes, que aproveitam o tempo de calor para matar saudades das suas terras.

As férias são para muitos um dos períodos mais aguardados do ano e não é para menos. São uma oportunidade de fazer uma pausa das rotinas do dia a dia, de recarregar baterias e de reduzir os níveis de stress.

Tirar férias e descansar é muito importante para a nossa saúde mental, vários estudos científicos têm mostrado que as férias oferecem efeitos positivos na saúde mental e física, contribuindo para o bem-estar geral de quem se afasta da agitação e das responsabilidades do trabalho, do ano escolar e da correria diária. Alguns dos benefícios das férias:

  • Aumento do nível de satisfação com a vida, particularmente ao nível amoroso, familiar, social e de lazer;
  • Melhorias na qualidade do sono, humor, queixas físicas e pressão arterial que persistem após o regresso das férias;
  • Aumento do bem-estar emocional. As férias podem ser um estimulante do humor e do bem-estar;
  • Estímulo à criatividade. As férias estimulam a nossa flexibilidade cognitiva, o que nos permite adaptar e lidar melhor com o inesperado;
  • Diminuição do stress associado ao desgaste do trabalho, o período de férias promove um regresso ao trabalho com mais energia e motivação.

As vantagens de privilegiarmos períodos de pausa no trabalho ou no quotidiano são indiscutivelmente transversais ao bem-estar e à satisfação com a vida e com melhor saúde; contribuindo para estreitar os laços afetivos nas relações conjugais e/ou familiares, dando lugar à comunicação (tantas vezes ausente ou desadequada) ou criando espaço para brincadeiras ou quaisquer outros momentos de lazer em conjunto. O aumento da motivação, qualidade do desempenho laboral e/ou académico têm sido, igualmente, observáveis nas pessoas que usufruem de períodos de férias.

Os pensamentos tendem a ser mais construtivos, organizados e tranquilos e as emoções negativas diminuem, dando lugar a estados emocionais mais felizes, geradores de satisfação pessoal, com os outros e com a vida.

Os estados de stress, ansiedade, irritabilidade e fadiga, entre outros, associados aos estilos de vida onde a pressão e a sobrecarga são aspetos indissociáveis do trabalho e da vivência familiar, são atenuados, melhorados ou mesmo inexistentes durante as férias e, em muitos casos, no período subsequente.

Férias são um período de descanso, que o(a) caro(a) leitor(a) deve usar para relaxar e fazer coisas que lhe tragam prazer e isso pode incluir fazer nada. Independentemente do que fazer, o objetivo é abrandar e não acrescentar mais pressão a sua vida. Por isso opte por fazer atividades que realmente lhe tragam prazer.

muitas vezes, sair com uns amigos, ir ao cinema, comer no restaurante que sempre quis, fazer visitas à família e amigos, dá muitas vezes, mais prazer do que viajar para um lugar qualquer.”

Lembre-se de que as férias não precisam ser caras ou longas para terem um impacto positivo na saúde mental. Pode optar por destinos próximos, fazer uma viagem de carro ou até mesmo acampar. O importante é sair da rotina e desfrutar de momentos de descanso e diversão.

No entanto, nem sempre é fácil esquecer as responsabilidades e afazeres, o que pode acabar por gerar ansiedade; esta é uma das desvantagens de vivermos num mundo acelerado, globalizado e exigente que com tanta informação, notificações e solicitações ao longo do dia, compromete cada vez mais o nosso bem-estar emocional.

Por isso, pela sua saúde emocional e pelo equilíbrio da sua família, está na hora de aprender a desligar e usufruir das férias. As férias são fundamentais para parar, tirar tempo para si e restabelecer a saúde mental enquanto se prepara e renova para mais um regresso à rotina.

Para que tenha mais facilidade em desligar-se nas próximas férias, deixo-lhe aqui algumas estratégias para não pensar (tanto) no trabalho: 

  • Planeie antecipadamente o período de férias, não somente as datas e destino das férias, mas também do trabalho em si.
  • Desligue-se digitalmente, passe o menos tempo possível junto de tecnologias, faça um ‘jejum’ de redes sociais.
  • Faça atividades ao ar livre, a exposição à luz solar aumenta os níveis de vitamina D e serotonina, que são conhecidas por melhorar o humor.
  • Aposte em momentos de lazer, inclua nas suas férias atividades que lhe são gratificantes e o façam sentir feliz, reserve tempo para se dedicar exclusivamente aos hobbies que mais gosta.
  • Senta-se no direito de não fazer nada, permita-se simplesmente descansar sem sentimentos de culpa.
  •  Mantenha um horário de sono saudável, é normal a rotina sofrer adaptações durante as férias, mas é essencial ter uma correta higiene do sono, pois é uma componente básica da nossa saúde mental.
  • Pratique atividade física, para além de fazer bem ao corpo, causa sensações de bem-estar e conforto que melhoram o humor.
foto arquivo

Caso após o período de férias, continue a sentir-se cansado e esgotado mentalmente, não deixe que essa situação se transforme numa patologia mais grave como a depressão. Se sentir fadiga excessiva, irritabilidade, distúrbios de sono, falta de motivação procure ajuda especializada.

Desejo-lhe umas belíssimas férias!

Saúde e Bem-estar

“A vida não avisa”

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Há notícias que não gritam, mas deixam um silêncio pesado no ar. Um silêncio que nos acompanha durante dias, talvez semanas, e que nos obriga a olhar para dentro.

Quando alguém parte de forma súbita, quando um comboio de tempestades obriga a declarar estado de calamidade, quando continuam as guerras…

O mundo não pára — mas devia.

Devia parar, para nos perguntar se estamos realmente a viver ou apenas a passar pelos dias, distraídos, como se o tempo fosse um bem infinito.

Vivemos agarrados ao ‘um dia’:
Um dia digo o que sinto!
Um dia faço a mudança!
Um dia cuido mais de mim!
Um dia abraço com mais tempo!

Mas a vida não se constrói em promessas futuras. Constrói-se neste instante breve, frágil e irrepetível que chamamos AGORA.

O DESAPEGO, tantas vezes mal compreendido, não é ausência de amor. É coragem. É a coragem de soltar o que pesa, o que magoa, o que já não nos serve. É perceber que não levamos connosco bens, cargos ou certezas — apenas a forma como vivemos e amámos.

Desapegar é confiar mais na vida do que no controlo. É aceitar que nada nos pertence verdadeiramente, nem sequer as pessoas que amamos. E, paradoxalmente, é isso que nos ensina a amá-las melhor: com presença, com verdade, sem adiamentos.

Viver o agora, não é viver depressa.
É viver inteiro.

É ouvir sem pressa, dizer o que importa, estar disponível para quem está aqui hoje. É escolher o essencial num mundo que insiste em distrair-nos do que realmente conta.

Quando alguém parte sem aviso, deixa-nos um lembrete doloroso, mas valioso:

Não adiar a vida.

Não adiar o amor.

Não adiar a coragem de ser quem somos.

Porque, no fim, o agora não é apenas um momento…

É tudo!

Aqui ficam algumas formas simples de usar o poder do agora na prática:

 Começar pelo corpo
A mente viaja para o passado e para o futuro. O corpo está sempre no presente.
Parar por um minuto e prestar atenção à respiração, aos pés assentes no chão ou ao som ambiente é uma forma imediata de regressar ao agora. É simples, mas profundamente eficaz.

Fazer uma coisa de cada vez
Vivemos em modo multitarefa, mas a presença exige foco.
Quando estiver a conversar, converse.
Quando estiver a trabalhar, trabalhe.
Quando estiver a descansar, descanse — sem culpa.
A qualidade da atenção transforma a experiência.

 Dizer o que importa hoje
O poder do agora também é emocional. Muitas palavras ficam adiadas para um “momento certo” que pode nunca chegar.
Se algo precisa de ser dito com amor e verdade, talvez o momento seja este.

Libertar pequenos pesos diariamente
Desapegar-se não é um gesto radical; é um exercício contínuo.
Perdoar uma pequena ofensa.
Desistir de uma discussão desnecessária.
Deixar ir uma expectativa irrealista.
Cada libertação abre espaço para viver com mais leveza.

 Criar micro-momentos de presença
Não é preciso mudar de vida para viver o agora. Basta mudar a forma como se vive o que já existe.
Beber o café com atenção.
Observar o pôr do sol sem telemóvel.
Ouvir verdadeiramente quem fala connosco.

São gestos simples, mas são nesses detalhes que o presente ganha profundidade.

 Perguntar diariamente: “Isto importa mesmo?”
O agora ajuda-nos a distinguir o essencial do acessório. Muitas preocupações dissolvem-se quando percebemos que não têm peso real nesse instante.

Viver o agora não elimina a dor nem impede imprevistos, mas dá-nos algo precioso: consciência.

Com a consciência vem a escolha:

de amar mais,

de reagir melhor,

de valorizar o que está diante de nós.

O poder do agora não está em fazer mais… está em estar mais.

Porque a vida não acontece ontem nem amanhã.
Acontece aqui e AGORA!

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Saúde e Bem-estar

“Cuidar dos outros sem se esquecer de si”

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Entre o cuidar e o ser cuidado, há um espaço esquecido: o de cuidar de si. Este texto é um convite a reencontrar esse lugar de pausa, ternura e verdade.

Quantas vezes cuidamos de todos à nossa volta e nos esquecemos de nós?

O cuidar é considerado natural e intrínseco à natureza humana, é uma parte fundamental para a sobrevivência e para o bem-estar da espécie. Esta capacidade é expressa tanto no autocuidado quanto no cuidado com o outro, com a família e a comunidade, e é vista como a base da humanidade, da compaixão e da sustentabilidade.

Há pessoas que nasceram com uma ternura natural para cuidar. Cuidam dos filhos, dos pais, dos amigos, dos colegas de trabalho. Cuidam da casa, dos problemas dos outros, das feridas que não são suas. Fazem-no com amor, com entrega, com um coração que se alarga todos os dias — mas que, por vezes, se esquecem de si.

É bonito cuidar. É bonito ser aquele a quem os outros recorrem, a mão que ampara, a presença que acalma. Mas também é cansativo ser sempre o porto seguro. Há um momento em que o corpo começa a sussurrar o que a alma já sabe: que ninguém consegue dar eternamente sem se reabastecer.

Cuidar de si não é egoísmo. É responsabilidade. É reconhecer que o amor que oferecemos aos outros nasce, primeiro, dentro de nós. Que só quem se nutre pode nutrir. Que o descanso, o silêncio, a pausa e o riso não são luxos — são remédios. São o terreno fértil onde o cuidado floresce de novo.

Há quem sinta culpa por parar. Por dizer “hoje não posso”, “agora preciso de mim”. Mas é nesse gesto de verdade que o amor se purifica. Porque cuidar de si é também cuidar do mundo — de forma mais inteira, mais serena, mais real.

Talvez o segredo esteja aí: em não desistir de cuidar, mas aprender a incluir-se na lista dos cuidados. Em perceber que, às vezes, o maior ato de generosidade é sentar-se consigo mesmo, respirar fundo e deixar o coração descansar. Cuidar de si não é desistir dos outros — é garantir que continua a ter força para os abraçar.

O autocuidado não é um luxo, é uma necessidade essencial para uma vida mais equilibrada e satisfatória. Quando cuidamos de nós mesmos, tanto fisicamente quanto mentalmente, estamos a praticar o autocuidado.

Por isso, adotar uma rotina de autocuidado traz muitos benefícios para a nossa saúde mental e física, veja alguns exemplos:

  • Reduz os sintomas de problemas de saúde mental, como a ansiedade e a depressão
  • Promove a resiliência
  • Melhora o humor e a energia;
  • Previne o esgotamento;
  • Reduzir os níveis de stress;
  • Ajudar a manter-se ligado à família, amigos e comunidade.

O autocuidado não é igual para todas as pessoas, depende muito das necessidades de cada um de nós; o que pode ser significativo para mim pode não ser para o outro. Assim, deixo-lhe aqui algumas sugestões (que podem ser apenas pequenos gestos) que pode implementar no seu dia- a -dia, para cuidar melhor de si:

  • Dedique 15 ou 20 minutos do seu tempo para momentos de autocuidado. Faça desse tempo uma prioridade inegociável. Assuma esse compromisso consigo próprio.
  • Mantenha um horário de sono regular. Tenha uma rotina de horas de deitar e acordar aproximadamente à mesma hora, evite ecrãs e luzes brilhantes antes de dormir, e crie um ritual relaxante como ler um livro ou tomar um banho quente. 
  • Pratique técnicas de relaxamento muscular e exercícios de respiração.
  • Movimente-se. Os benefícios de praticar exercício físico vão muito além da boa forma física. Determine quais são as atividades que lhe trazem alegria, melhoram a sua energia e restauram o seu equilíbrio. Tente sair da sua zona de conforto e experimente algo novo: aulas de Yoga ou de Pilates, caminhadas em grupo, por exemplo.
  • Estabeleça metas e prioridades. Uma boa gestão do tempo é fundamental para que não se sinta sobrecarregado. Para isso, avalie todas as tarefas que tem em mão e divida-as entre as que são prioritárias e que, por isso, não podem esperar, e as que podem ficar para mais tarde. Outro aspeto importante é o de não aceitar mais tarefas do que aquelas que consegue gerir. Para isso, deve aprender a dizer “não” sempre que sente que já atingiu a sua capacidade.
  • Partilhe o que sente. Obtenha apoio, seja através da partilha destas novas práticas com familiares e amigos, um treinador, um profissional de saúde ou através da sua comunidade ou local de trabalho.

O poder de mudar a sua realidade emocional está nas suas mãos. Escolha priorizar-se todos os dias. Não espere pela permissão de ninguém para cuidar de si. Assuma o controlo do seu bem-estar agora. Comece onde está, use o que tem e faça o que pode. Cada pequena ação de autocuidado é uma vitória. Transforme o “deveria” cuidar de mim por “vou” cuidar de mim. A ação é o caminho para a mudança real.

O autocuidado é um compromisso diário de amar-se e respeitar os seus limites. Ao integrar pequenos hábitos, definir fronteiras claras e não hesitar em procurar apoio profissional quando necessário, construímos uma base sólida para a saúde mental.

 Lembre-se: cuidar de si não é um luxo, mas uma necessidade vital para uma vida plena. Comece hoje a sua jornada para um bem-estar duradouro!

Cuide de si, porque você é único e insubstituível!

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Saúde e Bem-estar

A vida em piloto automático: estamos a Viver ou apenas a Existir?

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Já alguma vez deu por si a entrar em casa, pousar as chaves e, de repente, perceber que não se lembra do caminho percorrido? O semáforo em que parou, as ruas atravessadas, o olhar das pessoas ao redor… tudo apagado da memória. É como se o corpo tivesse funcionado, mas a mente estivesse ausente. Esse é o sinal claro de que estava em piloto automático.

Vivemos num tempo em que a pressa se tornou rotina. Acordamos, preparamos o dia, trabalhamos, cumprimos tarefas, deitamos. No meio deste ciclo, raramente paramos para sentir, pensar ou saborear a vida. Limitamo-nos a “funcionar”, como se cada dia fosse apenas mais uma etapa numa linha de montagem.

O piloto automático, em si, não é um inimigo. Ele é útil quando precisamos de executar ações repetitivas. O perigo surge quando passamos a viver quase exclusivamente assim, desligados do presente e de nós próprios. Nesse estado, corremos o risco de deixar escapar momentos importantes, relações verdadeiras e até a sensação de propósito. 

O perigo do piloto automático é descobrirmos, tarde demais, que deixámos a vida passar.

As consequências aparecem de forma silenciosa: fadiga emocional, sensação de vazio, relações superficiais. Dias que passam sem realmente serem vividos. De repente, damos por nós a olhar para trás e perceber que meses, até anos, se perderam numa sucessão de atos mecânicos, como páginas de um livro que nunca chegámos a ler.

Então veja, se ultimamente, tem sentido alguns destes sinais:

  • Age sem pensar

Age sem pensar no que está a fazer, como está a fazer ou o porque o faz.; como escovar os dentes, tomar café ou conduzir para o trabalho, sem se lembrar dos detalhes do trajeto ou das ações realizadas? Este é um dos principais sinais clássicos de que está a viver em piloto automático.

  • Sente-se desligado

Tem, habitualmente, dificuldades para se concentrar em atividades, perde- se em pensamentos repetitivos e sente que está “desligado” do mundo ao seu redor.

  • Age por impulso

Toma decisões precipitadas, sem analisar as consequências, e age por impulso em vez de refletir sobre a melhor forma de atuar.

  • Sente-se insatisfeito

Tem a sensação de que a vida está a passar sem a aproveitar ao máximo, por isso, costuma se sentir aborrecido, desmotivado e insatisfeito com sua rotina.

  • Não consegue desligar o telemóvel 

 Verifica automaticamente o telemóvel à procura de atualizações, novos e-mails, novidades nas redes sociais.

  • Negligencia sua saúde

Alimenta-se de forma inadequada, dorme pouco e não pratica exercício físico com regularidade. Esta negligência com a própria saúde pode ser um sinal de que está no piloto automático e não está a priorizar o seu bem-estar.

“Não são os dias em piloto automático que recordamos, mas aqueles em que estávamos verdadeiramente presentes.”

Mas há saída; e não exige grandes revoluções — apenas pequenos gestos de consciência:

  • Fazer uma pausa no meio do dia para respirar fundo.
  • Observar atentamente o lugar onde estamos, os sons, as cores, os detalhes.
  • Redescobrir prazeres simples, como saborear um café, ouvir uma música ou conversar sem pressa.
  • Perguntar a si mesmo: “Estou a viver ou apenas a existir?”

A vida não se repete. Cada instante é único e irrepetível. Viver de forma consciente é um ato de coragem, quase uma rebeldia contra o ritmo acelerado do mundo moderno. É escolher estar desperto, abrir espaço para a presença e permitir que cada momento, por mais pequeno que pareça, tenha valor.

Porque,

 Cada instante é único: ou o vivemos agora, ou nunca mais o viveremos.

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