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Editorial

Os números não mentem! Já somos um sucesso em Arcos de Valdevez!

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Passou um ano desde aquele 22 de novembro de 2022 em que, pela primeira vez, fiz uma publicação no Arcos em Destaque.

Faz hoje um ano que venci as dúvidas, os medos, os preconceitos e decidi avançar para dar ‘vida’ ao projeto que há muito, estava engavetado: criar um jornal digital em Arcos de Valdevez! Foi um ano que passou muito rápido, mas sinto que foi tudo no momento certo.

Apesar das dificuldades, hoje, o Arcos em Destaque, é um projeto cada vez mais reconhecido na região. É um projeto que, desde o início, teve sempre uma linha muito vincada: evitar, a tudo custo, o sensacionalismo a que hoje em dia assistimos -reiteradamente- nos meios de comunicação social.

Quando somos um jornal digital, tudo à nossa volta se traduz, em números! E por vezes, para atingir estes números, vemo-nos obrigados a entrar por caminhos menos objetivos, ficando aliciados pela notícia fácil, aquela que carece de rigor, mas que ‘enche o olho’ pelo ‘show off‘ que proporciona.

Por isso hoje, nesta data tão importante para o Arcos em Destaque estamos felizes de anunciar que, apesar de termos ido sempre contra a corrente, conseguimos afirmar o projeto, e ser um sucesso! E não, esta frase não é puro saudosismo, é uma realidade.

Os números não mentem! E hoje, passado um ano daquela primeira publicação cheia de esperança, posso dizer: consegui(mos)! Quando queremos e nos esforçamos somos capazes -sim- de ir contra a corrente e criar novos fluxos de influência!

Hoje é um dia feliz! Um dia marcante! E quero agradecer de forma muito especial a todos aqueles que estiveram comigo desde o início. A todos aqueles patrocinadores que acreditaram no projeto e o apoiaram quando o único que existia, ainda, era um esboço no computador! Obrigada pela vossa ajuda e por terem sido testemunhas e partícipes do crescimento deste jornal.

De igual forma, quero agradecer às minhas queridas colunistas: Auzenda Moreira, Sónia Dantas e Marta Pedreira pela generosidade que demonstraram ao quererem fazer parte deste projeto e nos terem enriquecido com a sua sabedoria e com os seus textos tão cheios de conhecimento e de verdade! Obrigada por terem confiado em mim.

Também quero agradecer à ‘nossa menina’ Carolina Gomes, quem com muito entusiasmo aceitou fazer parte desta equipa, como a nossa repórter oficial e de quem temos aprendido que ‘os sonhos’ podem tornar-se realidade! Obrigada pela tua entrega e pela ilusão com a qual enfrentas cada uma das reportagens que fazes! Tu vais longe!

Por último, mas não menos importante, obrigada à minha família. Que está sempre lá para mim. Que me segura nos momentos menos bons e que festeja comigo cada vitória! Sem vocês, nada disto seria possível!

Obrigada a todos!

Foi um ano em cheio!

Vanessa Reitor

Editorial

Quando a terra treme… o coração fica para trás

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Há dores que não se conseguem explicar. Há notícias que nos roubam o chão, mesmo quando estamos a milhares de quilómetros de distância.

Na madrugada em que a terra tremeu na Venezuela, senti exatamente isso: o chão a fugir-me dos pés. Porque uma parte de mim nunca saiu de lá.

Mas há dias em que essa distância se torna insuportável!

Enquanto aqui a vida continua, as crianças vão para a escola, as lojas abrem, as ruas enchem-se de gente e o relógio insiste em avançar, do outro lado do oceano o tempo parece ter parado.

Parou no momento em que a terra tremeu. Parou quando edifícios ruíram. Parou quando famílias inteiras ficaram sem casa, sem respostas e, muitas vezes, sem conseguir contactar quem amam.

O mundo costuma acreditar que uma tragédia termina quando a terra deixa de tremer. Mas não termia ai.

Na verdade, é aí que começa o verdadeiro pesadelo: noites passadas ao relento. A procura desesperada por familiares. A escassez de água, de alimentos, de medicamentos e de produtos básicos para tratar os feridos.

Começam as falhas de eletricidade, as comunicações interrompidas, os hospitais sobrelotados e uma população que tenta sobreviver quando já vivia, há muito tempo, no limite.

Porque este terramoto não atingiu um país forte. Atingiu um país profundamente fragilizado.

Um país que há anos enfrenta uma crise humanitária silenciosa, onde tantas famílias já viviam com tão pouco e onde cada novo desastre deixa marcas ainda mais difíceis de superar.

E, ainda assim…

Se há povo que me ensinou o verdadeiro significado da palavra resistência foi o povo venezuelano!

Um povo que nunca desistiu. Que faz da solidariedade uma forma de sobrevivência.

Que reparte o pouco que tem. Que encontra força quando já parece não existir nenhuma.

Que cai, levanta-se e volta a caminhar: sempre!

Há países cuja sina parece ser demasiado pesada. Mas existem povos que transformam essa sina em coragem e a Venezuela é um deles.

Hoje escrevo não apenas como jornalista: escrevo como filha daquela terra.

Como mulher que tem familiares, amigos e pessoas que ama a viver este pesadelo.

Escrevo com a impotência de quem gostaria de estar lá para abraçar, ajudar, reconstruir… e não pode.

E talvez essa seja a parte mais difícil: continuar a viver daqui. Ir trabalhar. Sorrir quando é preciso. Responder a mensagens. Cumprir horários…dormir!?

Enquanto o coração permanece preso a milhares de quilómetros de distância. Enquanto a mente insiste em imaginar o pior. Enquanto cada toque do telemóvel pode trazer alívio… ou mais dor.

Portugal conhece bem a Venezuela.

Durante décadas, aquele país abriu os braços a milhares de portugueses que ali encontraram trabalho, dignidade e futuro. Muitos construíram as suas vidas naquela terra generosa, criaram famílias, abriram empresas e chamaram-lhe casa.

Talvez seja tempo de recordar essa memória.

De lembrar que a solidariedade nunca deve conhecer fronteiras. Porque há tragédias que pertencem à Humanidade inteira.

Porque nenhum povo merece enfrentar sozinho uma dor desta dimensão.

E porque, por mais longe que estejamos, nunca estamos verdadeiramente distantes quando escolhemos não ficar indiferentes.

A terra pode tremer, as paredes podem cair, as cidades podem ser destruídas. Mas há uma força que nenhum terramoto consegue derrubar: a capacidade humana de sentir a dor do outro e de acreditar que, mesmo nos dias mais escuros, a esperança continua a nascer das mãos que se estendem umas às outras.

“Há uma parte de mim que continua na Venezuela. E enquanto houver alguém a precisar de ajuda naquela terra, sei que também o meu lugar é ao lado dela.”

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Editorial

A queda de um ditador

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Quando a esperança regressa depois de 27 anos de silêncio e dor

Muitos dos que me seguem sabem que sou luso-venezuelana. Há quase 17 anos cheguei a Portugal, a terra dos meus pais — emigrados na Venezuela há mais de 50 anos. Quando saí do meu país, já se começava a sentir o peso do chavismo. Um peso que não caiu de repente, mas que foi rastejando devagar, minando, aos poucos, todo o cenário político, económico e social da Venezuela.

Durante mais de 27 anos, o nosso povo viveu sob uma ditadura. Foram — e são — anos de profundo sofrimento: famílias divididas, venezuelanos assassinados, mais de 8 milhões de pessoas forçadas a fugir do seu país em busca de um futuro que lhes foi roubado. Uma das maiores crises migratórias da história da América Latina, perante os olhos do mundo.

Entretanto, passaram-se 27 anos. Cada um de nós refez a sua vida longe da nossa terra, mas nunca deixou morrer a chama da esperança. A esperança de voltar a ver a Venezuela livre. Digna. Próspera.

No passado sábado, acordámos com uma notícia que, no primeiro instante, não sabíamos bem como interpretar: bombardeamentos a instalações militares e aeroportos. A confusão tomou conta de todos. Até que, pouco depois, surgiu aquilo que parecia um oráculo nas nossas televisões: Maduro e a sua mulher tinham sido capturados.

A incredulidade foi o primeiro sentimento. Depois, a alegria. Depois, novamente, a confusão. E o medo.
Esperámos tanto por esta notícia que, quando ela chegou, parecia impossível ser real. O receio de mais uma desilusão — de mais uma mentira — era latente. Mas sim, era verdade. O cabecilha caiu e enfrentará a justiça. Não acredito que isso seja suficiente para pagar tudo o que fez, mas será, pelo menos, uma forma de responder por parte do dano causado ao nosso país e à nossa gente.

Mas a verdade é esta: a soberania da Venezuela foi violada há muitos anos. China, Rússia, Irão, Turquia e Cuba exploraram os nossos recursos durante décadas. O Estado usou as riquezas do país para financiar cartéis de droga, organizações criminosas, guerrilhas colombianas e mexicanas. Destruíram a indústria petrolífera. Criaram a maior vaga migratória jamais vista na América Latina — tudo isto sob os olhos da ONU, da União Europeia e de tantas outras organizações internacionais que nunca se pronunciaram sobre os presos políticos, o crime, a guerra interna ou a fome.

E agora falam de soberania?

Já devíamos saber: ditadores não saem com palavras mansas. Muito menos de forma democrática. Maduro nunca foi democrático. Nunca foi legítimo. E tem de pagar por tudo aquilo que fez.

Os venezuelanos estão expectantes. Sabemos que o caminho ainda é longo. Muito longo. Mas o que aconteceu naquele sábado devolveu-nos algo que julgávamos perdido para sempre: a esperança.

E esse sentimento — goste-se ou não — só quem é venezuelano o pode compreender.
Só a nós nos diz respeito.

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Editorial

Quando o amanhã bate à porta

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O último dia do ano costuma trazer consigo um sabor agridoce. É um dia de balanços, de reflexão e, inevitavelmente, de alguma nostalgia. Pensamos nos que já não estão, no que ficou por dizer, nos caminhos que não chegámos a percorrer. Lembramos os acertos com carinho e encaramos as derrotas com a coragem possível.

Idealizamos o futuro, desenhamos sonhos e alinhamos promessas. Fazemos uma lista silenciosa — às vezes só para nós — de tudo aquilo que desejamos transformar, ajustar ou simplesmente deixar ir no ano que se aproxima.

Esta noite será, para muitos, mais uma noite de copos erguidos e brindes sentidos à vida. Porque, apesar de tudo, continuamos a acreditar. Porque cada ano que começa nos mergulha novamente em 365 oportunidades para sermos melhores, para fazermos melhor, para vivermos melhor. Para aprendermos. Para crescermos.

2026 está já ali, a bater à porta. Trará certamente desafios e alegrias, como sempre; mas que venha com calma, com sentido, com ternura. Que seja um ano ameno, feliz, cheio de sucessos pessoais e profissionais — e, acima de tudo, que seja um ano com mais nós: mais encontros, mais afetos, mais comunidade.

Obrigada pela vossa companhia ao longo de 2025. Pela partilha, pela confiança e por caminharem comigo.
Para o ano, haverá mais.
Até já — e feliz Ano Novo!

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