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Editorial

Alguém me sabe dizer onde é que gastei 365 dias?!

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Faltam horas para o fim de ano e eu ainda estou confusa, a me perguntar onde é que gastei 365 dias da minha vida! Ainda há pouco tempo estávamos de chinelinho de dedo e agora estamos de lareira acesa e em contagem decrescente para nos despedirmos de mais um ano.

Assim é a vida: um movimento constante! Os 365 dias que nos foram oferecidos no dia 01 de janeiro de 2023 já estão quase a acabar. O tempo passa com uma velocidade assustadora e nós parecemos todos, as suas marionetas.

Dentro em breve, vamos estar de copinho de espumante numa mão, e uvas passas na outra fazendo a lista de desejos daquilo que pretendemos alcançar. E será que dentro dessa lista de desejos estará o seguinte: desejo viver cada dia de 2024 como se fosse o último! Desfrutando cada momento, e não, simplesmente, anelando que passe rápido mais um ano para conseguir não sei qual meta que -se calhar- nem faz assim tanto sentido?

E que tal se, em vez de uma lista de desejos, fizéssemos, por exemplo, uma lista de compromissos!? Porque esses sim dependem só de nós e não de um acaso fortuito! Uma lista onde nos comprometêssemos a passar mais tempo de qualidade com os nossos filhos. Onde nos comprometêssemos a olhar para os pequenos milagres que acontecem no nosso dia a dia, e que teimamos em não reconhecer. Uma lista onde possamos incluir como uma tarefa diária o exercício de respirar profunda e conscientemente, pelo menos, uma vez ao dia, para aprendermos a ter consciência do quão afortunados somos só pelo facto de poder inalar e exalar!

Seria, no mínimo, estranho, fazer uma lista parecida com esta que acabei de propor, não é?! Mas seria tão benéfico para todos! Tenho a certeza que no final de 2024, iríamos saber perfeitamente, onde é que gastamos os 365 dias que nos foram oferecidos porque, sem dúvida, passaríamos a viver desde a consciência, e não desde a falta dela!

Desperdiçamos o tempo, queixando-nos sempre de que a vida é breve.”

Marquês de Maricá

Editorial

A queda de um ditador

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Quando a esperança regressa depois de 27 anos de silêncio e dor

Muitos dos que me seguem sabem que sou luso-venezuelana. Há quase 17 anos cheguei a Portugal, a terra dos meus pais — emigrados na Venezuela há mais de 50 anos. Quando saí do meu país, já se começava a sentir o peso do chavismo. Um peso que não caiu de repente, mas que foi rastejando devagar, minando, aos poucos, todo o cenário político, económico e social da Venezuela.

Durante mais de 27 anos, o nosso povo viveu sob uma ditadura. Foram — e são — anos de profundo sofrimento: famílias divididas, venezuelanos assassinados, mais de 8 milhões de pessoas forçadas a fugir do seu país em busca de um futuro que lhes foi roubado. Uma das maiores crises migratórias da história da América Latina, perante os olhos do mundo.

Entretanto, passaram-se 27 anos. Cada um de nós refez a sua vida longe da nossa terra, mas nunca deixou morrer a chama da esperança. A esperança de voltar a ver a Venezuela livre. Digna. Próspera.

No passado sábado, acordámos com uma notícia que, no primeiro instante, não sabíamos bem como interpretar: bombardeamentos a instalações militares e aeroportos. A confusão tomou conta de todos. Até que, pouco depois, surgiu aquilo que parecia um oráculo nas nossas televisões: Maduro e a sua mulher tinham sido capturados.

A incredulidade foi o primeiro sentimento. Depois, a alegria. Depois, novamente, a confusão. E o medo.
Esperámos tanto por esta notícia que, quando ela chegou, parecia impossível ser real. O receio de mais uma desilusão — de mais uma mentira — era latente. Mas sim, era verdade. O cabecilha caiu e enfrentará a justiça. Não acredito que isso seja suficiente para pagar tudo o que fez, mas será, pelo menos, uma forma de responder por parte do dano causado ao nosso país e à nossa gente.

Mas a verdade é esta: a soberania da Venezuela foi violada há muitos anos. China, Rússia, Irão, Turquia e Cuba exploraram os nossos recursos durante décadas. O Estado usou as riquezas do país para financiar cartéis de droga, organizações criminosas, guerrilhas colombianas e mexicanas. Destruíram a indústria petrolífera. Criaram a maior vaga migratória jamais vista na América Latina — tudo isto sob os olhos da ONU, da União Europeia e de tantas outras organizações internacionais que nunca se pronunciaram sobre os presos políticos, o crime, a guerra interna ou a fome.

E agora falam de soberania?

Já devíamos saber: ditadores não saem com palavras mansas. Muito menos de forma democrática. Maduro nunca foi democrático. Nunca foi legítimo. E tem de pagar por tudo aquilo que fez.

Os venezuelanos estão expectantes. Sabemos que o caminho ainda é longo. Muito longo. Mas o que aconteceu naquele sábado devolveu-nos algo que julgávamos perdido para sempre: a esperança.

E esse sentimento — goste-se ou não — só quem é venezuelano o pode compreender.
Só a nós nos diz respeito.

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Editorial

Quando o amanhã bate à porta

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O último dia do ano costuma trazer consigo um sabor agridoce. É um dia de balanços, de reflexão e, inevitavelmente, de alguma nostalgia. Pensamos nos que já não estão, no que ficou por dizer, nos caminhos que não chegámos a percorrer. Lembramos os acertos com carinho e encaramos as derrotas com a coragem possível.

Idealizamos o futuro, desenhamos sonhos e alinhamos promessas. Fazemos uma lista silenciosa — às vezes só para nós — de tudo aquilo que desejamos transformar, ajustar ou simplesmente deixar ir no ano que se aproxima.

Esta noite será, para muitos, mais uma noite de copos erguidos e brindes sentidos à vida. Porque, apesar de tudo, continuamos a acreditar. Porque cada ano que começa nos mergulha novamente em 365 oportunidades para sermos melhores, para fazermos melhor, para vivermos melhor. Para aprendermos. Para crescermos.

2026 está já ali, a bater à porta. Trará certamente desafios e alegrias, como sempre; mas que venha com calma, com sentido, com ternura. Que seja um ano ameno, feliz, cheio de sucessos pessoais e profissionais — e, acima de tudo, que seja um ano com mais nós: mais encontros, mais afetos, mais comunidade.

Obrigada pela vossa companhia ao longo de 2025. Pela partilha, pela confiança e por caminharem comigo.
Para o ano, haverá mais.
Até já — e feliz Ano Novo!

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Editorial

A coragem dos recomeços

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O Natal já passou. Dentro em breve estaremos às portas de um novo ano.
Em cinco dias, teremos diante de nós 365 novas oportunidades — um
caderno por preencher.

Dezembro, e em particular o Natal, é sempre um tempo de reflexão.
É quando sentimos mais: quando os nossos desejos ganham corpo, quando as vulnerabilidades vêm ao de cima, quando a saudade nos senta à mesa e nos lembra quem fomos, quem somos e quem queremos ser.

Num mundo onde conflitos e guerras parecem não dar tréguas, torna-se urgente agir com empatia, solidariedade e compaixão. É cada vez mais necessário resistir à indiferença e escolher o lado humano das coisas, mesmo quando o cenário nos empurra para o contrário.

Que possamos encontrar, no novo ano, o impulso que precisamos para continuar, apesar das dificuldades e do cansaço.
Que cada um de nós sinta a alegria que existe nos recomeços.
Que saibamos redirecionar a bússola, ajustar rotas, redefinir prioridades.
E que tenhamos coragem de construir, todos os dias, os alicerces da vida que desejamos.

Que 2026 seja um ano de concretizações.
Que não nos deixemos abalar pelos desafios que surgirem.
Que seja um ano de saúde, de conquistas pessoais e de superações feitas com sabedoria e tranquilidade.

Mais um ano que temos a sorte de ver chegar.
Mais um ano para viver — e, quem sabe, para florescer.
Mais um ano para escolhermos, com intenção, aquilo que queremos ser.

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